Interior do restaurante Boá na Ilha, no Combu
Convite a parceiros

Segurança alimentar e cultura amazônica nas ilhas de Belém

Geração de renda e valorização dos saberes ribeirinhos no Combu e em Cotijuba. Uma realização Cria Cesupa.

39 ilhas em Belém +78 mil pessoas na região insular 2 comunidades ribeirinhas

Duas cozinhas-escola, prontas para sair do papel

No Combu e em Cotijuba, o diagnóstico já foi feito, as mulheres estão sendo capacitadas e o projeto técnico já está pronto. Agora falta transformar o que está no papel em realidade — e para isso contamos com você.

O problema

O Pará é hoje o estado com o maior percentual de domicílios em insegurança alimentar do Brasil

44,6%
das famílias paraenses convivem com algum grau de dificuldade para acessar alimentos
+78 mil
pessoas vivem apenas na região insular de Belém, que possui 39 ilhas
62%
dos municípios da Amazônia Legal não têm estrutura mínima para enfrentar a crise climática

A Região Norte tem o maior índice de insegurança alimentar do país, e o Pará lidera esse cenário. Nas 39 ilhas de Belém, a dieta tradicional ribeirinha — pesca, extrativismo e cultivo local — vem sendo substituída por alimentos ultraprocessados, à medida que o acesso a alimentos frescos se torna mais difícil, sobretudo nos períodos de estiagem. As mudanças climáticas agravam o quadro.

44,6% das famílias paraenses convivem com algum grau de dificuldade para acessar alimentos, e o estado tem um dos maiores índices de insegurança alimentar grave do país, ao lado do Amapá e do Amazonas (IBGE, PNAD Contínua, 2024).

A Região Norte, que concentra a maior parte da Amazônia brasileira, é apontada pela Rede PENSSAN como a região com o maior índice de insegurança alimentar do país, afetando de forma desproporcional mulheres, famílias negras e populações rurais.

Belém possui 39 ilhas, e mais de 78 mil pessoas vivem apenas na sua região insular (IBGE, 2021). Estudos acadêmicos sobre comunidades ribeirinhas amazônicas documentam uma transição alimentar preocupante: a dieta tradicional, baseada em pesca, extrativismo e cultivo local, vem sendo gradualmente substituída por alimentos industrializados e ultraprocessados, à medida que o acesso a alimentos frescos se torna mais difícil, especialmente durante os períodos de estiagem, quando a produção extrativista cai.

Essa fragilidade também chega às escolas: mais de 1.500 estudantes das ilhas de Belém dependem de merenda escolar transportada por barco, em um trajeto logístico longo e vulnerável às condições do rio. Relatos da gestão escolar nas ilhas apontam ainda que a evasão escolar está diretamente relacionada ao calendário produtivo do açaí e à desconexão entre o currículo escolar e a realidade ribeirinha das famílias.

O cenário é agravado pelas mudanças climáticas: dados do Sistema de Informações e Análises sobre Impactos das Mudanças Climáticas (AdaptaBrasil), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), mostram que 62% dos municípios da Amazônia Legal não possuem condições e estruturas mínimas para enfrentar os efeitos da crise climática, o que coloca a região como a mais vulnerável do país em segurança alimentar (AdaptaBrasil/MCTI, 2023, conforme reportagem da InfoAmazonia). É nesse contexto — de riqueza cultural e biodiversidade extraordinárias, mas também de vulnerabilidade estrutural — que o Coozilhas atua.

+1.500 estudantes das ilhas de Belém dependem de merenda escolar transportada por barco — um trajeto vulnerável às condições do rio.

Fontes: IBGE/PNAD Contínua (2024, 2021); Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN); AdaptaBrasil/MCTI (2023, via reportagem da InfoAmazonia); estudos acadêmicos sobre populações ribeirinhas do Pará e do Amazonas.

O que é o Coozilhas

Nasce da escuta e da interação com as comunidades

O Coozilhas é uma iniciativa fomentada pelo Cria Cesupa, ecossistema que desenvolve, coletivamente com as comunidades, estratégias de segurança alimentar e geração de renda.

As duas comunidades ribeirinhas abarcadas ficam na Ilha do Combu e na Ilha de Cotijuba. O projeto nasce da escuta e interação com as comunidades e se apoia em duas referências locais que já são pontos de encontro e de força para as famílias de cada ilha: o restaurante Boá na Ilha, no Combu, e a sede do MMIB (Movimento das Mulheres das Ilhas de Belém), em Cotijuba.

Na prática, o Coozilhas se organiza em quatro frentes que caminham juntas

Cozinhas-escola

A serem construídas em cada sede, para fomentar o conhecimento das mulheres das comunidades sobre a teoria e a prática da segurança alimentar, com impacto direto na alimentação das famílias e das escolas da região.

Quintais produtivos

Fortalecidos em Cotijuba e implantados no Combu, garantindo produção local contínua de hortaliças, plantas medicinais e frutas regionais, mesmo nos períodos de estiagem.

Compras coletivas

Ao menos 4 ciclos por sede, organizando a compra conjunta de alimentos para reduzir custos e ampliar o acesso das famílias a uma alimentação mais diversa.

Trilhas de formação

Cursos que integram as três frentes anteriores, realizando formações para as mulheres em alimentação saudável, manejo de cozinhas e quintais, e empreendedorismo — temas solicitados e pensados coletivamente.

O resultado que buscamos coletivamente são novas fontes de geração de renda e o acesso a uma alimentação mais segura.

Onde atuamos

Ilha do Combu e Ilha de Cotijuba

Grupo reunido no espaço do restaurante Boá na Ilha, no Combu
Combu

Boá na Ilha

Boá, o proprietário do restaurante, já possui reconhecimento enquanto uma das lideranças da Ilha e serve como mediador nos processos de garantia de qualidade de vida — onde nasce uma das cozinhas-escola.

Viveiro de mudas usado na produção de hortaliças e plantas
Cotijuba

Sede do MMIB

Movimento das Mulheres das Ilhas de Belém: mais de 25 anos de organização comunitária, geração de renda e saberes tradicionais.

Quem faz parte

Como atuamos

Nossa atuação conecta as necessidades locais da Amazônia aos desafios e oportunidades de negócios sustentáveis, articulando empresas e parceiros comprometidos com o desenvolvimento da região. A partir dessa conexão, criamos estratégias de valor compartilhado que geram impacto positivo e fortalecem o protagonismo amazônico.

Cesupa

O Cesupa é uma instituição de ensino superior paraense, comprometida com a qualidade da educação e o desenvolvimento local. Nossa maior motivação é formar estudantes para o mercado de trabalho e acompanhar o crescimento profissional, educacional e pessoal desses e de nossos colaboradores.

Cria Cesupa

De maneira integrada e colaborativa, o Cria Cesupa é um ponto de convergência entre pessoas, ideias e iniciativas que impulsionam uma cultura de inovação e sustentabilidade. Como think-and-do tank, conectamos e integramos múltiplas formas de conhecimento para cocriar e implementar soluções na nossa região.

As pessoas por trás do Coozilhas

Guardiãs da cultura amazônica

Nenhum projeto se sustenta sem quem já constrói, todos os dias, com as próprias mãos, a segurança alimentar de sua comunidade. O Coozilhas nasce da escuta e da parceria com duas lideranças que já são, há anos, guardiãs da cultura amazônica em suas ilhas.

Combu

Boá na Ilha

Cozinha do Boá na Ilha, no Combu, antes da reforma

O restaurante Boá na Ilha começou com o pai e a mãe do atual proprietário, que faziam a manutenção do açaizal e processavam o próprio açaí para vender em litro. Da produção, veio uma mercearia; da mercearia, a cozinha; da cozinha, o bar do Boá, que promovia festas e eventos para a própria comunidade das ilhas.

Em 2017, esse caminho se transformou no que é hoje: uma casa de experiências que serve alimentação, promove passeios, feiras e encontros. A base da alimentação do Combu é o açaí, "o nosso feijão", como define Boá, acompanhado de peixe, charque e enlatados. Hoje, tudo o que se vende no restaurante é produzido por pessoas da própria comunidade — um ciclo econômico local que a cozinha-escola e o quintal produtivo vêm fortalecer.

Cotijuba

MMIB — Movimento das Mulheres das Ilhas de Belém

Equipe do projeto em visita de campo à Ilha de Cotijuba

O MMIB nasceu da união de mulheres que acreditam na força da organização comunitária. O movimento começou como um pequeno grupo dentro da Associação de Produtores da Ilha de Cotijuba, fazendo doces, compotas e geleias para gerar renda e fortalecer as mulheres da ilha.

Ao longo de mais de 25 anos, o grupo cresceu, formou jovens em capacitações de reaproveitamento de recicláveis e confecção de instrumentos musicais, e se tornou uma referência em geração de renda, segurança alimentar, educação ambiental e valorização dos saberes tradicionais.

Hoje, a rotina alimentar de Cotijuba oscila com as estações: no período seco, a produção extrativista despenca e as famílias precisam recorrer mais à compra de alimentos — vulnerabilidade que a cozinha-escola e o quintal produtivo pretendem enfrentar.

Onde já chegamos

O Coozilhas não começa do zero

É fruto de um processo construído em conjunto com as comunidades, passo a passo.

Diagnóstico comunitário

Escuta ativa das famílias, lideranças e das mulheres de Combu e Cotijuba para entender as reais necessidades de cada território.

Equipe do projeto em visita de campo às ilhas

Formações em boas práticas

Boas práticas de manipulação de alimentos, já realizadas com as mulheres das comunidades de Combu e Cotijuba.

Turma do curso de boas práticas de manipulação de alimentos com seus certificados, no Boá na Ilha

Orçamento técnico

Construção do orçamento técnico das obras e dos equipamentos necessários para cada cozinha-escola.

Fase atual

Prontos para iniciar as obras das cozinhas-escola

No Combu (Boá na Ilha) e em Cotijuba (sede do MMIB). O diagnóstico, as capacitações e o orçamento técnico já estão prontos — falta agora dar início à construção, e é exatamente neste momento que buscamos parceiros.

Como apoiar

Onde o seu apoio vira uma cozinha de verdade

Do primeiro tijolo ao último utensílio, cada etapa do Coozilhas pode ser apoiada por parceiros diferentes.

Apoiar o Coozilhas é entrar numa história que ainda está sendo construída, literalmente — e acompanhar, passo a passo, o que a sua contribuição significa: uma parede levantada, uma bancada instalada, uma mulher cozinhando com segurança em um espaço equipado e que garanta qualidade alimentar e geração de renda às comunidades.

Formas de apoiar

Cinco formas de entrar nessa construção

Materiais e obra

As cozinhas-escola de Combu e Cotijuba ainda vão ser construídas. Preparamos um orçamento técnico detalhado com os materiais de construção necessários — estrutura, elétrica, hidráulica e acabamento — para que parceiros possam contribuir com o que for mais estratégico para o seu negócio.

Ver planilha Quero apoiar

Equipamentos para as cozinhas

Fogões industriais, geladeiras, liquidificadores, bancadas e utensílios — os itens que, quando a obra estiver pronta, vão transformar o espaço construído em um espaço que ensina, produz e gera renda.

Ver planilha Quero apoiar

Visibilidade institucional

Parceiros do Coozilhas recebem o selo "Parceiro Coozilhas" para uso em suas próprias comunicações, além de identificação visual nos espaços que ajudaram a construir e equipar.

Quero apoiar

Vivência nas ilhas

Representantes de empresas parceiras podem visitar Combu e Cotijuba, conhecer de perto as comunidades, o restaurante Boá na Ilha e a sede do MMIB, e acompanhar ao vivo o avanço das obras.

Quero apoiar

Conteúdo e prestação de contas

Registro fotográfico e em vídeo de toda a jornada — do terreno vazio à cozinha em funcionamento — de uso livre para os parceiros em seus relatórios institucionais e de sustentabilidade.

Quero apoiar
Planta 3D dos espaços

Veja como as cozinhas-escola vão ganhar vida

Preparamos um projeto de arquitetura em 3D dos espaços das cozinhas-escola de Combu e Cotijuba — para você visualizar, em detalhe, onde cada equipamento será instalado e como o ambiente vai funcionar no dia a dia.

Próximos passos

O caminho até a celebração

1

Construção da cozinha

Finalização das obras e instalação dos equipamentos nas cozinhas-escola de Combu e Cotijuba, transformando os espaços físicos em ambientes prontos para ensinar, produzir e gerar renda.

2

Trilha de cursos

Início das capacitações em alimentação saudável, aproveitamento integral dos alimentos, boas práticas de manipulação, cultivo em hortas comunitárias, compras coletivas e empreendedorismo — formando, ao longo dos meses, uma verdadeira trilha de autonomia para as mulheres de Combu e Cotijuba.

3

Desafio gastronômico

Como marco de encerramento dessa etapa, reunimos as mulheres de cada ilha em um desafio gastronômico: cada uma leva à mesa tudo o que aprendeu, transformando os ingredientes dos quintais produtivos em pratos autorais com a identidade de cada ilha. Uma celebração pública do que a comunidade construiu — diante de convidados, parceiros e apoiadores do projeto.